"Os autores são sempre os criticos mais severos de suas obras."

"Os autores são sempre os critricos mais severos de suas obras"

"A lealdade nos conduz a uma aliança firme pois se fundamenta numa complementação entre as pessoas"

"Você tem amigos, e isso é o suficiente para conhecer o mundo."
Autor Desconhecido

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Um pouco de Clarisse Lispector

Falar dessa ucraniana com alma brasileira nos dias atuais deve ser feito com muito cuidado. É por que percebemos claramente o quanto as redes sociais popularizam Lispector nos últimos tempos. Nunca ela foi tão querida e amada pelos seus leitores; essa mesma autora que no passado arrancava arrepios nos estudantes que eram obrigados a estudar sua obra na escola, hoje são as suas famosas frases que causam alvoroço e são motivos de muitos comentários e reproduções no mundo virtual. Clarice é dona de uma literatura com alto nível de complexidade, isso devido a toda introspecção de suas obras. Um acontecimento banal, algo do cotidiano – como olhar-se no espelho, o quebrar de ovos e a contemplação de um buquê de rosas – na vida de um personagem lispectoriano significa algo muito maior. Um simples fato do dia-a-dia pode fazer com que a personagem comece a refletir e descubra sua alienação e após esse processo, tudo pode mudar na vida dela - ou não - ela pode voltar à estaca zero, conformada com a realidade que a cerca. Clarice Lispector nasceu na década de 20 e faleceu em 1977; sua produção literária iniciou nos anos 40, até o ano de sua morte. Ou seja, faz mais de 30 anos que a autora nos deixou, mas mesmo assim, sua obra é estudada como Literatura Contemporânea e assim também é considerada, sendo os seus livros classificados como romance moderno. Talvez seja pelo seu olhar intuitivo em relação ao universo feminino que Clarice Lispector hoje é popular entre as mulheres; elas sempre ocuparam um lugar de destaque nas páginas da autora. Mas Clarice não é vista como uma feminista, uma defensora dos direitos das mulheres; tais personagens não foram mulheres à frente de seu tempo, muitas vezes elas foram caracterizadas como submissas – submissas aos homens e ao ambiente que as domina. Essa última característica pode ser facilmente identificada no romance “A Hora da Estrela” através da personagem Macabéa – uma mulher totalmente conformada com a sua situação miserável e com todos os problemas que o destino coloca em seus caminhos; é dela a famosa frase: “já que sou, o jeito é ser”. Macabéa – durante toda a sua breve vida – não fez esforços para ser a verdadeira estrela do seu destino. Quem sabe também haja tais equívocos em relação à obra lispectoriana, pois esta ainda não é de domínio público; os livros de Clarice não podem ser digitalizados sem autorização, tampouco disponibilizados de forma gratuita e nem as editoras conseguem comercializá-los a preços mais acessíveis; isso poderá ocorrer somente depois dos 50 anos de falecimento da autora. Deduz-se então que, como os livros de Clarice não são tão acessíveis como os de Machado de Assis, por exemplo (que já é de domínio público há décadas), muitos não têm acesso à obra da autora – já que sabemos o quão escassas são as nossas bibliotecas públicas, infelizmente – e baseiam-se em fontes não muito confiáveis para creditar e divulgar textos sendo dessa autora. Vejamos um exemplo: há sites que creditam à Clarice a seguinte frase: “Você pode até me empurrar de um penhasco e eu vou dizer: e daí, eu adoro voar!”. Esse estilo da frase não se enquadra com o de Lispector; nossa querida autora é dona de uma literatura mais intimista, simbólica e introspectiva, o que nada tem a ver com a expressão acima citada. Há fontes na internet que declaram que essa frase foi dita pela atriz Bruna Lombardi, outros dizem ser de Kathlen Heloise Pfiffer. Então, como saber ao certo? A resposta é simples: não há como saber, pois não encontramos referências bibliográficas que comprovem a autenticidade da frase sendo de autora X ou Y; a internet é um espaço livre, e pelo menos em nossa realidade, os direitos autorais nunca foram devidamente respeitados na web. Por mais que se confie em uma página virtual, nada se compara com a veracidade de um livro, devidamente publicado, catalogado e registrado.Essa expressão é só uma de tantas que a todo tempo são divulgadas na rede mundial de computadores, através de ferramentas como e-mail, twitter, Orkut e facebook. A internet, que poderia ser uma verdadeira aliada na disseminação da literatura lispectoriana, hoje se tornou uma grande vilã, espalhando inverdades e deboches referentes à obra dessa escritora genial.Mas bem sabemos que a internet é atualizada pelas pessoas, a maioria delas são pessoas de bem, que não veem maldade alguma em repassar aquele e-mail com um texto bonito assinado por Clarice Lispector, ou então em retwittar aquela frase legal também creditada à autora; por isso, caso você seja fã das frases e textos que circulam na web como sendo de Lispector, a dica é a seguinte: duvide sempre de tudo o que ler; e pesquise, questione, conheça as obras e procure referências, antes de divulgar e disseminar falsos textos pela internet; quem agradece não sou eu, - um apaixonado admirador da obra dessa mulher -, mas sim o legado de Clarice, que de maneira alguma merece ser vulgarizado e desrespeitado, mais ainda do que já está sendo

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