Minha Constituinte,
Após ter adotado medidas cautelares e ter colocado meus argumentos em Ordem,venho por meio desta carta precatória, notificar a minha mais sincera devoção por ti.
Roubaste,ou melhor, furtaste meu coração quando te vislumbrei pela primeira vez no Fórum — os cabelos negligentemente penteados,a fronte fugidia,a boca atentado violentamente ao meu pudor....
O processo de arrebatamento foi sumaríssimo! Fiquei reduzido à impossibilidade de defesa,as ideias se turvaram e o delito se consumou.
Meu corpo foi sequestrado e está sendo administrado por algum oficial de Cupido cheios de caprichos.
Meu pensamento se encontra agora em reclusão,aguardando ansiosamente a prolação da tua sentença.
Entraste astuciosamente nas dependências do meu ser e hoje causas mal injusto e grave à minha liberdade de expressão.Fui injustamente provocado pela tua estrutura tridimensional — um fato aparentemente sem valor acabou por me deixar numa situação fora das normas.
Constantemente imagino nós dois numa alucinante conjunção carnal — eu te sussurrando atos obscenos e tu me devassando numa perícia sem fim. Quero cruzar tuas fronteiras — Invadir teu espaço aéreo,navegar teu mar territorial e, impetrando um "habeas corpus",ancorar em ti para sempre. Condomínios da vida, fiduciários da paixão,formaremos um vinculo tão indissolúvel que acabaremos sendo um do outro usucapião. Depois de uma posse não muito mansa e pacifica, irei requerer a exibição " in totum" de toda a tua hipoteca,sem admissibilidade de protestos.Seremos os únicos acionistas de uma S.A (NÃO SOCIEDADE ANONIMA,MAS SIM, SOCIEDADE AMOROSA) e assim tutelarei teu afeto e herdarás meu carinho. Legarei milhões de beijos para usufruíres quando eu estiver em lugar incerto e inacessível. Logo então ,sentindo a minha ausência, mandarás publicar editais intimando a mim, e eu , sem mora, retornarei ,tomar-te-ei nos braços e trocaremos juras de amor sentados num banco de réus,onde os jurados enlevados pela cena, nos darão absolvição ,apesar das loucuras e imprudências até então cometidas por nós. A dedicação e a fidelidade , requisitos mais do que formais ,tornarão mais bela a vida a dois ,regidas pelas feles da Criação.
Todavia, se tudo nao passar da minha imaginação e tu fizeres revel ao meus sentimentos , acabarei apelando para a ignorância . Posso perder o juízo e, sem embargo , partir para a reconvenção. Talvez eu até seja internado num manicômio judiciário,antes,porém ,tão cego quanto Têmis,vou-te raptar e contigo em carcere privado, livre de impedimentos, as mais deliciosas contravenções....
Acredita na minha confissão judiciaria — somos duas partes de um só todo inalienável. Não vem com suspeições,pois meu amor é sincero para contigo ,coisa julgada evidente por todos. Tu nunca poderás contestá-lo, pois ele é flagrante. Reconsidera a minha petição, volta, e aí,desfeita a lide, não farei segredo de justiça,mas afixarei proclamas pelos cantos quatros cantos do globo celebrando nosso felicíssimo acordo.
sempre teu,
Monsieur D'Ambelle
Após ter adotado medidas cautelares e ter colocado meus argumentos em Ordem,venho por meio desta carta precatória, notificar a minha mais sincera devoção por ti. Roubaste,ou melhor, furtaste meu coração quando te vislumbrei pela primeira vez no Fórum — os cabelos negligentemente penteados,a fronte fugidia,a boca atentado violentamente ao meu pudor....
O processo de arrebatamento foi sumaríssimo! Fiquei reduzido à impossibilidade de defesa,as ideias se turvaram e o delito se consumou.
Meu corpo foi sequestrado e está sendo administrado por algum oficial de Cupido cheios de caprichos.
Meu pensamento se encontra agora em reclusão,aguardando ansiosamente a prolação da tua sentença.
Entraste astuciosamente nas dependências do meu ser e hoje causas mal injusto e grave à minha liberdade de expressão.Fui injustamente provocado pela tua estrutura tridimensional — um fato aparentemente sem valor acabou por me deixar numa situação fora das normas.
Constantemente imagino nós dois numa alucinante conjunção carnal — eu te sussurrando atos obscenos e tu me devassando numa perícia sem fim. Quero cruzar tuas fronteiras — Invadir teu espaço aéreo,navegar teu mar territorial e, impetrando um "habeas corpus",ancorar em ti para sempre. Condomínios da vida, fiduciários da paixão,formaremos um vinculo tão indissolúvel que acabaremos sendo um do outro usucapião. Depois de uma posse não muito mansa e pacifica, irei requerer a exibição " in totum" de toda a tua hipoteca,sem admissibilidade de protestos.Seremos os únicos acionistas de uma S.A (NÃO SOCIEDADE ANONIMA,MAS SIM, SOCIEDADE AMOROSA) e assim tutelarei teu afeto e herdarás meu carinho. Legarei milhões de beijos para usufruíres quando eu estiver em lugar incerto e inacessível. Logo então ,sentindo a minha ausência, mandarás publicar editais intimando a mim, e eu , sem mora, retornarei ,tomar-te-ei nos braços e trocaremos juras de amor sentados num banco de réus,onde os jurados enlevados pela cena, nos darão absolvição ,apesar das loucuras e imprudências até então cometidas por nós. A dedicação e a fidelidade , requisitos mais do que formais ,tornarão mais bela a vida a dois ,regidas pelas feles da Criação.
Todavia, se tudo nao passar da minha imaginação e tu fizeres revel ao meus sentimentos , acabarei apelando para a ignorância . Posso perder o juízo e, sem embargo , partir para a reconvenção. Talvez eu até seja internado num manicômio judiciário,antes,porém ,tão cego quanto Têmis,vou-te raptar e contigo em carcere privado, livre de impedimentos, as mais deliciosas contravenções....
Acredita na minha confissão judiciaria — somos duas partes de um só todo inalienável. Não vem com suspeições,pois meu amor é sincero para contigo ,coisa julgada evidente por todos. Tu nunca poderás contestá-lo, pois ele é flagrante. Reconsidera a minha petição, volta, e aí,desfeita a lide, não farei segredo de justiça,mas afixarei proclamas pelos cantos quatros cantos do globo celebrando nosso felicíssimo acordo.
sempre teu, Monsieur D'Ambelle
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